
Acabou-se a festa, todos para o trabalho!
Domingo ainda cheirava a fresco da madrugada passada, acordava então o país, ansioso para a tão almejada celebração prolongada, caso a selecção passasse para a fase seguinte – as meias-finais. Muitas expectativas, os galos não precisaram de gastar as suas energias para despertar aqueles que dormiam até tarde, os putos decidiram fazer isso por eles com algazarras de alegria, apitos, panelas, tampas e muitos outros utensílios domésticos – algumas casas faltaram talheres na hora do almoço. Alguns começaram arrebatadamente cobrando tributos para angariarem fundos para não faltar bebes, na hora do tão esperado jogo. Catorze e meia vinha Kimbito, meu amigo, todo uniformizado, parecia ele mesmo a bandeira da nação com aquelas cores típicas, cheio de orgulho e positivismo «Vamos ganhar dois a zero» enfatizou optimista e supersticioso, na rádio ouvia-se relatos antecipados, publicidades e propagandas; nas ruas debates e especulações alguém até disse que haveriam de abonar vinte mil dólares por cada jogador caso ganhassem o jogo, e outro que vendia ingressos, para os que não tiveram possibilidade de comprar há tempo, pelo quíntuplo do preço real. Dezasseis e quarenta procuravam todos “lugares amigáveis” para ver o jogo, Uns preferiam ver mesmo o jogo em casa com a família, outros construíam pequenas tendas improvisadas com a Tv de pequenas polegadas para se abrigar com amigos. Na hora do jogo, cantavam todos, patrioticamente, o hino da Nação e alguns minutos mais tarde o árbitro deu então o apito inicial, começando assim o jogo.
Domingo ainda cheirava a fresco da madrugada passada, acordava então o país, ansioso para a tão almejada celebração prolongada, caso a selecção passasse para a fase seguinte – as meias-finais. Muitas expectativas, os galos não precisaram de gastar as suas energias para despertar aqueles que dormiam até tarde, os putos decidiram fazer isso por eles com algazarras de alegria, apitos, panelas, tampas e muitos outros utensílios domésticos – algumas casas faltaram talheres na hora do almoço. Alguns começaram arrebatadamente cobrando tributos para angariarem fundos para não faltar bebes, na hora do tão esperado jogo. Catorze e meia vinha Kimbito, meu amigo, todo uniformizado, parecia ele mesmo a bandeira da nação com aquelas cores típicas, cheio de orgulho e positivismo «Vamos ganhar dois a zero» enfatizou optimista e supersticioso, na rádio ouvia-se relatos antecipados, publicidades e propagandas; nas ruas debates e especulações alguém até disse que haveriam de abonar vinte mil dólares por cada jogador caso ganhassem o jogo, e outro que vendia ingressos, para os que não tiveram possibilidade de comprar há tempo, pelo quíntuplo do preço real. Dezasseis e quarenta procuravam todos “lugares amigáveis” para ver o jogo, Uns preferiam ver mesmo o jogo em casa com a família, outros construíam pequenas tendas improvisadas com a Tv de pequenas polegadas para se abrigar com amigos. Na hora do jogo, cantavam todos, patrioticamente, o hino da Nação e alguns minutos mais tarde o árbitro deu então o apito inicial, começando assim o jogo.
Com a energia inicial, peculiar dos nossos Palanquinhas, conseguimos, nos primeiros minutos, alguns perigos. Tão repentinamente a selecção enfraqueceu e como quem não marca sofre, sofremos então um golo ainda na primeira parte do jogo – A esperança não morre, o povo continuou vibrando mesmo com o resultado não favorável para os Palanquinhas. Ao intervalo poucos disfarçavam não querer ver mais a segunda parte do jogo pela decepção, mas espreitavam sempre a ver qualquer perigo. Os minutos passavam e a esperança por fim começou a ganhar mortalidade.
O jogo terminou com o resultado final de uma bola a zero perdendo então a nossa selecção. Via-se a tristeza e o silêncio nos rostos dos angolanos, as cervejas que se pretendiam para celebração adquiriu outras utilidades – afogar as mágoas. Alguns afogaram de mais as mágoas, outros foram para cama mais cedo para evitar debates desnecessários, uns choraram, não só pela derrota dos Palancas, mas principalmente, pelo tão almejado feriado aniquilado. Feliz da vida fica o chefe que esta hora dorme sonhado «Acabou-se a festa, todos para o trabalho!»
O jogo terminou com o resultado final de uma bola a zero perdendo então a nossa selecção. Via-se a tristeza e o silêncio nos rostos dos angolanos, as cervejas que se pretendiam para celebração adquiriu outras utilidades – afogar as mágoas. Alguns afogaram de mais as mágoas, outros foram para cama mais cedo para evitar debates desnecessários, uns choraram, não só pela derrota dos Palancas, mas principalmente, pelo tão almejado feriado aniquilado. Feliz da vida fica o chefe que esta hora dorme sonhado «Acabou-se a festa, todos para o trabalho!»
By: Gaspar Lourenço



